“Nós somos uma maneira do cosmos se autoconhecer”

 (Carl Sagan)

Faz um ano que foram iniciadas as diversas medidas de isolamento social impostas pelas autoridades sanitárias com a justificativa de diminuir a circulação do Coronavírus. Nas próximas semanas, em muitos lugares do país, passaremos novamente pela política do ‘lockdown’ para que o máximo de pessoas permaneça em suas casas e evite sair nas ruas. Dentre outras consequências, sabe-se que o isolamento pode trazer uma série de fatores de risco para a saúde mental e emocional das pessoas, especialmente aquelas que já tenham algum histórico prévio (ex. transtornos depressivos ou de ansiedade).

Do início da pandemia até hoje, muitos estudos investigam as implicações psicológicas decorrentes desta situação, sendo algumas delas as seguintes: aumento na incidência de depressão, ansiedade, estresse, ataques de pânico, raiva irracional, impulsividade, distúrbios do sono, distúrbios emocionais, transtorno de estresse pós-traumático, fobia social, agorafobia e comportamento suicida. Neste sentido, alguns fatores têm sido associados a diminuição no bem-estar e aumento nos transtornos mentais, como: níveis mais altos de afetos negativos, níveis mais baixos de afetos positivos, assistir a notícias em excesso, usar as redes sociais em excesso, faixa etária mais jovem (sendo as crianças mais prejudicadas) e a falta de atividades rotineiras.

Diante deste cenário, como proteger a saúde emocional e exercitar o autocuidado?

No mês de abril de 2020, realizei a primeira live sobre esta temática, e compartilho algumas das orientações que sugeri naquele momento, pois acredito que essas dicas em forma de reflexões podem ajudar quem deseja cuidar de si e das pessoas a sua volta durante o isolamento.

  1. Colocar os eventos ‘em perspectiva’. Pergunte-se: O que está sob o meu controle? Reflita e cuide disso.
  2. Tenha curiosidade sobre si mesmo: observe suas emoções, sentimentos e comportamentos. Depois, avalie suas prioridades considerando a auto-observação.
  3. Aceite as emoções, mesmo que sejam desagradáveis. Lembre-se que sentir medo ou raiva, por exemplo, é natural quando passamos por momentos desafiadores e não é errado.
  4. Imagine as emoções como ‘nuvens no céu’. Permita que elas passem, por mais que seja tentador se agarrar a elas.
  5. Tenha atenção ao momento presente (mais sobre isso no texto ‘A chave mágica’) e aos pequenos tesouros que podem ser descobertos nele.
  6. Nos dias mais difíceis, faça o mínimo necessário para não paralisar ou interromper planos importantes na sua vida. Lembre-se que um pequeno passo é melhor do que nenhum passo.
  7. Mantenha algumas das suas rotinas: rituais ao acordar, rituais de beleza, rituais de estudo e trabalho, tratamentos de saúde etc.
  8. Crie algumas rotinas. Pergunte-se: o que seria impossível fazer na minha antiga rotina e que agora posso escolher fazer? Escolha algo e comece.
  9. Faça os exercícios da psicologia positiva indicados pelo BeHappier 😊.
  10. Preserve os contatos sociais via online: cuide dos relacionamentos que dão certo.
  11. Sobre gerenciamento do tempo: lembre-se que o tempo é um recurso finito, e quando se diz SIM a uma coisa, SEMPRE se diz NÃO a outra. Além disso, ‘não escolher é sempre uma escolha’.
  12. Sobre os planos adiados: procure projetar sonhos com metas de curto, médio e longo prazo. Tire um tempo para reorganizar as suas prioridades, seja na vida financeira, profissional ou familiar.
  13. Caso esteja muito difícil começar qualquer uma das sugestões listadas acima, procure ajuda profissional e não deixe de se cuidar.

Quando nos cuidamos com amor, automaticamente estamos cuidando das pessoas que estão a nossa volta e ficando inteiros para ajudar no que for necessário.

Você já faz algumas destas coisas? Por onde pretende começar? Agora é com você.

Texto por Marcella Bastos Cacciari