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O que tenho para contar pode parecer, em alguns momentos, difícil de acreditar, até mesmo para mim.
E como algumas histórias são marcadas por datas, vou eleger o dia 19 de julho de 2016 como ponto de partida para o que vem a seguir. Foi quando a palavra mudança mostrou seu verdadeiro significado para mim. Quando comecei a entender que todas as minhas crenças iriam ao chão, junto com a área de lazer do lugar onde eu morava. Eu vivia, ou melhor, o meu endereço era um condomínio de alto padrão onde dividia minha existência com marido, filhos, minha mãe e a Nina, nossa gata. Todos com saúde, emprego, escola. Eu tinha tudo para chamar minha casa de lar. E eu acreditava que era.
Não posso dizer que eu vivia porque eu pouco aproveitava o lugar. Enquanto usava a academia, fazia ligações para resolver problemas do trabalho. Durante o tempo que meu filho mais novo se divertia na piscina, eu enviava inúmeros e-mails, resolvia problemas, marcava mais e mais reuniões. Era urgente, não podia esperar, eu precisava responder naquele momento, impossível deixar para mais tarde.
Por muito tempo, esse foi meu ritmo. Podemos colocar aí uns quinze anos. Conquistei muita coisa da qual tenho orgulho. Mas nada me fez conquistar o que de fato eu tanto queria: um sentimento de felicidade que fosse genuíno, que fosse sentido sem culpa, sem estar relacionado a um momento de prazer, sem que viesse depois de comprar algo que eu desejava. Até então, a felicidade era algo que eu não conseguia adquirir.
Pois na madrugada do dia 19 de julho de 2016, a área de lazer do meu condomínio desmoronou, tirando a vida de um dos funcionários do local, esmagando todos os trezentos carros que estavam na garagem e acordando todas famílias que acreditaram por um momento que as torres dos prédios também iriam desmoronar.
Desci vinte e quatro andares acompanhada de um medo terrível. Sem luz, ao som de pessoas gritando de pavor, o Arthur, meu caçula, sem entender o que acontecia, minha gata no meu colo com as unhas cravadas nas minhas costas, meu marido, minha mãe e meu filho mais velho correndo contra o tempo. Saímos com vida, mas o que sentimos nos afetou para sempre. A mim, trouxe uma depressão. E perguntas para as quais não tinha resposta. Por que comigo? Por que justo agora? Por que e mais por quê.
A depressão trouxe junto um sentimento de autopiedade. Fiquei com pena de mim mesma. De um dia para o outro fiquei sem casa, sem carro, sem minhas coisas, fiquei sem minha maquiagem (sério, isso também me deixou em pânico). Mas foi ao perder que comecei a perceber o quanto eu comecei a ganhar. Amigos me ofereceram tudo: carro, casa, roupa, maquiagem (ufa!). Aos poucos fui colocando a vida em ordem. Mas a depressão persistia.
Me fiz então uma pergunta: o que faz as pessoas se sentirem felizes, apesar de passarem por grandes perdas? O que as faz seguir em frente com um sorriso no rosto? Comecei a estudar e descobri um mundo que ainda é pouco conhecido, onde a felicidade é motivo de pesquisas científicas. Quanto mais eu estudava, mais a depressão se dissolvia. Compreendi que ser feliz requer prática e dedicação. Por sorte, tenho a disciplina a meu favor e passei a exercitar todas as recomendações sobre o que nos faz feliz.
Tudo isso foi tão transformador na minha vida que assumi como missão difundir esse conhecimento por meio palestras, conversas, conteúdo. Entendi que eu tinha que passar por um momento de perda para verdadeiramente assimilar o que era felicidade. Eu não tinha ideia que estava sendo preparada para viver a maior dor da minha vida.
No dia 30 de março de 2019, dei uma palestra sobre felicidade. Era um sábado, uma manhã linda, ensolarada e quente. Terminei a palestra em um estado de plenitude, de certeza de que eu estava no caminho certo. À tarde, nesse mesmo sábado, atendo a ligação do meu filho: – Mãe, levei um tiro. Sinto que vou morrer.
A distância entre mim e o lugar onde meu filho estava era de cerca de quinze quilômetros. Nessas horas, você compreende a teoria da relatividade de uma maneira brutal – atravessar esses quinze quilômetros foi o mesmo que cruzar o deserto do Saara. Até chegar para encontrar o Caio, sem saber se conseguiria vê-lo com vida, foram os piores momentos que já vivi. Lembra que eu desci as escadas com medo? Esquece. Agora sim eu senti um pavor real.
Um dos grandes ensinamentos sobre felicidade é aprender que temos o poder de fazer escolhas. Entre me desesperar até chegar ao local onde meu filho estava ou recorrer a toda fé que eu acreditava ter, fiquei com a segunda opção. Nada fácil, diga-se de passagem.
Encontrar meu filho vivo foi experimentar a gratidão da maneira mais profunda possível. Por maior que fosse a dor, a dúvida, o medo, ver que ele estava respirando me colocou em um estado de intenso agradecimento. Ajoelhei ao lado da ambulância de tanta emoção.
Albert Einstein dizia que há apenas duas maneiras de viver a vida. Uma, é como se nada fosse um milagre. A outra, é como se tudo fosse. Posso olhar este acontecimento e classificá-lo como uma tragédia. Meu filho teve a medula rompida e não sabemos se um dia ele voltará a andar.
Mas posso tentar agradecer por tudo que aconteceu: ele está vivo, o socorro não demorou, a equipe médica que o atendeu fez um excelente trabalho, a delicada cirurgia para a retirada da bala foi um sucesso, os amigos não deixaram de nos apoiar em nenhum momento.
Os dias de internação foram marcados pelo conjunto de sentimentos em doses máximas. Vivemos tristeza, fé, gratidão, dor, esperança, medo. Foi como andar de montanha russa, todos os dias, sem parar.
Aceitar é o verbo que mais repito para mim mesma. Eu não tenho outra escolha. Dizem que ficamos bons naquilo que praticamos. É isso que me move, que me faz substituir a revolta e a dor pela compaixão. Eu escolhi acreditar que tudo na minha vida é um milagre. E quando você usa essa lente, começa a enxergar a felicidade de forma mais nítida e verdadeira.
Se eu puder fazer com que mais pessoas passem a ver a vida com as mesmas lentes que eu, pelas lentes da felicidade, terei honrado a minha existência. Adotei como missão compartilhar o que aprendi e desejo alcançar cada vez mais pessoas para dizer que podemos praticar a felicidade e mudar nossa forma de ver e sentir a vida.
Gravei no meu braço, em sânscrito, o mantra Lokah Samastah Sukhino Bhavanthu. Mais do que uma tradução, uma orientação para a vida que espero ter: que todos os seres sejam felizes e que todos os meu atos, palavras e pensamentos contribuam para a felicidade de todos os seres. Para tornar possível a minha missão, criei o Be Happier, uma plataforma para mostrar que é possível aprender a ser feliz. Porque eu posso dizer que sem esse aprendizado, eu não teria suportado tudo que vivi até agora. A felicidade me salvou.
Flavia da Veiga, fundadora do BeHappier
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