Até bem pouco tempo, os cientistas costumavam acreditar que as pessoas tinham um índice fixo de felicidade. Estudos recentes, entretanto, demonstram que, com a prática, as pessoas podem elevar seu nível de felicidade. Essa possibilidade está relacionada a uma característica do cérebro: a neuroplasticidade, que faz com que as estruturas cerebrais se adaptem às situações vividas e continuem a se desenvolver na medida em que experimentamos novos estímulos.
Mas, afinal, quais práticas poderiam ajudar a elevar a linha de base da felicidade? De forma geral, são atividades que podem ser feitas durante alguns minutos diariamente e que não custam um centavo. Basicamente, o que é necessário para obter os benefícios dessas práticas depende exclusivamente da adoção de uma atitude de comprometimento e de regularidade com aquilo que se deseja praticar. Dito de outra forma, uma vez que se decida adotar algumas práticas que podem contribuir para aumentar a felicidade, é fundamental que elas se tornem parte da rotina diária da pessoa.
Diferentes autores e pesquisadores elegem conjuntos diversos de práticas que têm sido cientificamente comprovadas como facilitadoras da felicidade. A escolha por um conjunto ou outro de práticas possui relação com os vários resultados obtidos na investigação da relação entre hábitos de vida e felicidade. Em um certo sentido, contudo, há algumas práticas que aparecem com maior frequência em diferentes estudos como sendo promovedoras de estados afetivos e de comportamentos associados à felicidade. Sendo assim, algumas práticas têm se tornado, cada vez mais, referências para a adoção de hábitos que contribuem para aumentar os níveis de felicidade. Dentre essas práticas estão a Meditação, o cultivo da Gratidão, o engajamento com Exercício Físico, a manutenção de Relações Positivas, o estabelecimento e cumprimento de Metas e o exercício Gentileza.
A questão é: por que essas práticas contribuem para nos tornar mais felizes? Os cientistas que estudam a felicidade buscam identificar quais são os fatores que contribuem para que algumas pessoas se sintam mais felizes do que outras. Nessa busca, os cientistas têm constatado que sentir-se feliz tem íntima relação com como as pessoas encaram a vida, assim como os desafios e as oportunidades que ela apresenta. Nesse sentido, a felicidade parece ter pouco a ver com as condições objetivas da vida de uma pessoa, tais como riqueza e beleza. O que os estudos em torno da Ciência da Felicidade demonstram é que a felicidade pode ser favorecida por atitudes que nos ajudem a ver os eventos da vida, sejam bons ou ruins, com mais equilíbrio. E é isso que essas práticas (Meditação, Gratidão, Exercício Físico, Relações Positivas, Metas e Gentileza) viabilizam: mudanças ao nível da organização mental – incluindo mudanças nas estruturas cerebrais – que favorecem os pensamentos, as atitudes, os sentimentos e os comportamentos positivos. Assim, o otimismo, a resiliência, a autoconfiança, a esperança, o bem-estar físico e emocional, o engajamento, a conexão consciente com o momento presente, a serenidade, a empatia, a compaixão, o sentido de propósito e muitos outros recursos emocionais, cognitivos e comportamentais que propiciam uma vida mais feliz podem ser desenvolvidos e fortalecidos por essas práticas. E é sobre isso que nos fala a Ciência da Felicidade.
Por Angelita Scardua, psicóloga e especialista em estudos sobre Felicidade.