Costumamos associar felicidade ao que acontece com a gente. Se o acontecimento é positivo ficamos felizes, se é negativo, infelizes, certo? Não, necessariamente.

De acordo com os estudos da Dra Sonja Lyubomirsky da Universidade da Califórnia, 50% da nossa felicidade é prevista pela genética. 10% são as circunstâncias da nossa vida, como o que estamos vivendo agora com o coronavírus, e 40% da nossa felicidade é prevista pelas atitudes, pequenas atividades no nosso dia a dia, que nos ajudam a aumentar a nossa percepção de felicidade.

Parece simples, mas a dificuldade é que não sabemos como prever o que nos fará felizes e quanto tempo a felicidade vai durar. Esperamos que eventos positivos nos tornem muito mais felizes do que realmente acontecem, e esperamos que eventos negativos nos tornem mais infelizes do que realmente fazem. Os estudos mostram que os acontecimentos, tais como casar ou não, ser promovido ou não, tem menos impacto na felicidade do que pensamos que terão.

De acordo com as pesquisas, o segredo para uma vida mais feliz é a capacidade de ter mais emoções positivas do que negativas, junto com uma vida significativa. Diante da ameaça do coronavírus, boa parte das nossas emoções são desagradáveis: medo, ansiedade, tristeza, raiva. Mas é aqui que a ciência pode dar grande contribuição nesse momento: felicidade é uma habilidade que pode ser aprendida, praticada, e dessa forma podemos produzir um número maior de emoções positivas do que negativas.

O psicólogo Ed Diener fez uma descoberta interessante: a frequência das  experiências positivas é mais importante do que a intensidade. Aqui, mais é mais, e a quantidade é mais importante do que a qualidade. É melhor praticar atividade física todos os dias do que se casar com Brad Pitt. Quem tem várias coisas agradáveis diariamente provavelmente será mais feliz do que alguém que tenha uma só coisa realmente incrível.

Sendo assim, em tempos de quarentena, o que podemos fazer?  São atividades muito simples, quase óbvias, mas que praticadas de forma diária, trazem grande impacto na nossa felicidade:

  • Meditar – Normalmente não temos tempo para sentir, para olhar para dentro, para nos conectarmos com nós mesmos e com o divino.
  • Praticar atividade física – talvez não seja uma boa ideia ir para a academia, mas pode caminhar ao ar livre, nadar, correr, andar de bicicleta, surfar.
  • Ser grato – registrar diariamente 3 coisas diferentes pela qual você é grato. O simples fato de estar vivo já é motivo para agradecer.
  • Aproveitar para estreitar relacionamento com os familiares mais próximos. É um ótimo momento para conversar, olhar no olho, brincar com os filhos, ligar para os amigos de longa data.
  • Colocar em prática aqueles planos que ficaram na lista de ano novo, como ler um livro, fazer um curso online, cozinhar.
  • Praticar o bem. Uma das coisas mais egoístas que você pode fazer é ajudar os outros. E o interessante é que esse vírus trouxe a percepção que somos todos interligados, interdependentes. Um ato de gentileza, por exemplo, é ir ao supermercado ou na farmácia para um idoso ou uma pessoa em maior risco.

Toda experiência tem seu lado positivo e traz algum tipo de aprendizado. Que possamos aprender com esse momento desafiador, e talvez, assim, evoluirmos como seres humanos. Todos nós agradecemos.

Flavia da Veiga

Fundadora do BeHappier