{"id":1365,"date":"2019-11-05T00:31:43","date_gmt":"2019-11-05T02:31:43","guid":{"rendered":"http:\/\/behappier.app\/?p=1365"},"modified":"2019-12-02T09:50:10","modified_gmt":"2019-12-02T11:50:10","slug":"meditar-e-abrir-espaco-para-a-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1365","title":{"rendered":"Meditar \u00e9 abrir espa\u00e7o para a felicidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No final dos anos 1960, o Dr. Herbert Benson, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, realizou estudos cient\u00edficos para testar os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade. Os resultados obtidos pelo Dr. Benson indicaram que a medita\u00e7\u00e3o poderia ser usada no tratamento auxiliar de problemas fisiol\u00f3gicos como press\u00e3o alta, doen\u00e7as card\u00edacas e enxaquecas. O m\u00e9dico e pesquisador observou que durante a medita\u00e7\u00e3o ocorria a diminui\u00e7\u00e3o dos batimentos card\u00edacos e da respira\u00e7\u00e3o dos pacientes testados, em paralelo, ele tamb\u00e9m observou que o c\u00e9rebro sob estado meditativo tinha a atividade alfa aumentada, uma caracter\u00edstica dos estados de relaxamento. Uma das constata\u00e7\u00f5es mais significativas dos estudos do Dr. Benson, por\u00e9m, \u00e9 a descoberta de que a medita\u00e7\u00e3o contribui para minimizar ou eliminar pensamentos obsessivos, ansiedade, sintomas depressivos e sentimentos hostis.<\/span><\/p>\n<p><b>Benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As descobertas pioneiras do Dr. Benson v\u00eam sendo confirmadas por estudos mais recentes. \u00c9 o caso do estudo liderado pela Psic\u00f3loga Britta H\u00f6lzel, tamb\u00e9m da Universidade de Harvard, publicado em 2011. Nesse estudo, exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica mostraram que as pessoas que meditaram por cerca de 30 minutos di\u00e1rios durante oito semanas tiveram mudan\u00e7as mensur\u00e1veis na densidade da massa cinzenta em partes do c\u00e9rebro associadas \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de autoestima, \u00e0 empatia e ao estresse. O aumento da massa cinzenta ocorreu no hipocampo, uma \u00e1rea importante para a aprendizagem e a mem\u00f3ria. As imagens tamb\u00e9m mostraram uma redu\u00e7\u00e3o da massa cinzenta na am\u00edgdala, que \u00e9 uma regi\u00e3o ligada \u00e0 ansiedade e ao estresse. Os resultados encontrados por H\u00f6lzel e sua equipe mostram que as pessoas que adotaram a pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o relataram um aumento no n\u00edvel de felicidade e mais empatia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emo\u00e7\u00f5es dos outros.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aparentemente, os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o para o c\u00e9rebro tamb\u00e9m atingem as pessoas idosas. \u00c9 o que mostrou um estudo de 2014 realizado por uma equipe de cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Medita\u00e7\u00e3o para prevenir envelhecimento<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por meio de escaneamento cerebral, a equipe liderada pela Dra. Eileen Luders descobriu que as pessoas idosas que meditam regularmente n\u00e3o perdem sua massa cinzenta t\u00e3o rapidamente quanto as que n\u00e3o praticam medita\u00e7\u00e3o. De acordo com os resultados obtidos no estudo, os c\u00e9rebros daqueles que meditam t\u00eam tecido visivelmente mais espesso no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, que \u00e9 a regi\u00e3o do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela aten\u00e7\u00e3o e controle. As implica\u00e7\u00f5es dessas descobertas s\u00e3o muito significativas do ponto de vista da sa\u00fade f\u00edsica e mental, uma vez que indicam que a medita\u00e7\u00e3o pode impedir que as c\u00e9lulas cerebrais morram, o que normalmente acontece \u00e0 medida que envelhecemos. Assim como pode aumentar o tamanho do c\u00e9rebro de uma pessoa em v\u00e1rias regi\u00f5es cruciais. Al\u00e9m disso, h\u00e1 evid\u00eancias de que a medita\u00e7\u00e3o pode melhorar a capacidade cognitiva e os n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o, contribuir para o controle do estresse e aumentar a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar.<\/span><\/p>\n<p><b>O c\u00e9rebro de quem medita<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A rela\u00e7\u00e3o entre bem-estar e medita\u00e7\u00e3o gera condi\u00e7\u00f5es para que o h\u00e1bito de meditar contribua para a viv\u00eancia de felicidade. \u00c9 o que aponta os estudos conduzidos pelo Dr. Wataru Sato, na Universidade de Kyoto, no Jap\u00e3o. A pesquisa do Dr. Sato tem sido motivada pela busca de entendimento do que proporciona, ao n\u00edvel cerebral, a sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o geral e bem-estar nas pessoas. No campo cient\u00edfico j\u00e1 \u00e9 bem conhecido quais neurotransmissores est\u00e3o associados as sensa\u00e7\u00f5es de prazer ou relaxamento, por exemplo, mas pouco se sabe sobre os mecanismos neurais respons\u00e1veis pelo sentimento de felicidade. Para tentar avan\u00e7ar nesse campo, os cientistas liderados pelo Dr. Sato pediram a 51 volunt\u00e1rios que avaliassem seus pr\u00f3prios n\u00edveis de felicidade e, em seguida, examinaram seus c\u00e9rebros. O que eles descobriram \u00e9 que uma \u00e1rea do c\u00e9rebro chamada precuneus era maior em pessoas que se sentiam mais felizes. Estudos anteriores mostraram que a medita\u00e7\u00e3o regular pode aumentar a massa cinzenta no precuneus, o que poderia explicar por que aqueles que meditam relatam mais sentimentos de contentamento geral e at\u00e9 de felicidade do que quem n\u00e3o pratica a medita\u00e7\u00e3o regularmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As descobertas feitas na Universidade de Kyoto apontam para a ideia de que o precuneus \u00e9 particularmente importante para a felicidade subjetiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O poder do mindfulness<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ou seja, essa regi\u00e3o do c\u00e9rebro estaria associada a a\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es positivas frente a uma situa\u00e7\u00e3o qualquer, que \u00e9 o que cientificamente se entende por felicidade subjetiva, aquela que resulta de uma disposi\u00e7\u00e3o emocional e comportamental frente \u00e0 vida caracterizada pela positividade. Assim, os resultados obtidos nas pesquisas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre medita\u00e7\u00e3o e felicidade sugerem que as pr\u00e1ticas que proporcionam um estado psicol\u00f3gico positivo contribuem para aumentar o volume de massa cinzenta no precuneaus, gerando maior felicidade subjetiva. Em termos objetivos isso representa o aumento da capacidade de lidar com os desafios e as oportunidades da vida cotidiana de maneira mais resiliente, mais otimista, mais engajada e mais satisfat\u00f3ria. Segundo pesquisadores da \u00e1rea, como Shawn Achor e Jon Kabat-Zinn, para se alcan\u00e7ar os benef\u00edcios propiciados pela medita\u00e7\u00e3o a regularidade da pr\u00e1tica \u00e9 mais relevante do que o tempo di\u00e1rio que se passa meditando. Para Shawn Achor, dois minutos de medita\u00e7\u00e3o por dia j\u00e1 seriam suficientes para treinar o c\u00e9rebro. O pesquisador argumenta que a medita\u00e7\u00e3o nos faz felizes porque reduz o estresse e a ansiedade causados \u200b\u200bpor vidas agitadas e multitarefas. Jon Kabat-Zinn, que \u00e9 o respons\u00e1vel pela sistematiza\u00e7\u00e3o do modelo de medita\u00e7\u00e3o Mindfulness, sugere medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria com dura\u00e7\u00e3o de 30 a 45 minutos. Para ele, o cultivo da aten\u00e7\u00e3o plena, propiciado pela medita\u00e7\u00e3o, ensina a viver a vida como ela realmente importa no momento presente, em vez de viver constantemente em arrependimento ou antecipa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>A vida no momento presente<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos estudos sobre felicidade, o engajamento com o momento presente tem sido apontado como atitude fundamental para a experi\u00eancia de felicidade. A pe\u00e7a seminal da pesquisa neurocient\u00edfica que apontou nessa dire\u00e7\u00e3o foi publicada em 2004, sendo liderada pelo Dr. Richard Davidson. Em 1992, Davidson foi convidado pelo Dalai Lama para entrevistar monges sobre suas vidas mentais e emocionais, dez anos ap\u00f3s ele investigou o c\u00e9rebro do Monge Matthieu Ricard. Os exames do c\u00e9rebro mostraram ondas gama excepcionalmente altas, que s\u00f3 surgem com pensamentos intensamente focados. Quando o experimento foi repetido com outros oito monges, os resultados foram semelhantes, revelando que \u00e1reas do c\u00e9rebro respons\u00e1veis pelas emo\u00e7\u00f5es positivas foram ativadas durante a medita\u00e7\u00e3o, especialmente no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal esquerdo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O mundo sob novas perspectivas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2008, Barbara Fredrickson e colaboradores publicaram os resultados de um estudo, realizado com 139 adultos, que mostraram que a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria aumentou a experi\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es positivas. O que, por sua vez, produziu aumento da aten\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito na vida e sentimento de apoio social. Resumidamente, o que os estudos sobre os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o indicam \u00e9 que: quando meditamos adquirimos a capacidade de pensar de maneira mais objetiva, racional e l\u00f3gica. Isso nos confere a habilidade de reagirmos mais empaticamente \u00e0s situa\u00e7\u00f5es e menos passionalmente, nos ajudando a enxergar os eventos a partir sob v\u00e1rias perspectivas. Isso promove o desenvolvimento de uma serenidade que leva a uma comunica\u00e7\u00e3o mais eficaz nos relacionamentos. E se h\u00e1 um pensamento un\u00e2nime nos estudos sobre a felicidade \u00e9 que a qualidade dos relacionamentos que constru\u00edmos est\u00e1 diretamente associada com o quanto nos sentimos felizes com a pr\u00f3pria vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Angelita Scardua, psic\u00f3loga e especialista em estudos sobre Felicidade.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final dos anos 1960, o Dr. Herbert Benson, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, realizou estudos cient\u00edficos para testar os benef\u00edcios da medita\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade. 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