{"id":1373,"date":"2019-11-14T00:56:16","date_gmt":"2019-11-14T02:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/behappier.app\/?p=1373"},"modified":"2019-12-01T17:15:44","modified_gmt":"2019-12-01T19:15:44","slug":"gentileza-gera-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1373","title":{"rendered":"Gentileza gera felicidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos precursores do movimento da Psicologia Positiva \u2013 \u201ca Ci\u00eancia da Felicidade\u201d \u2013 o norte-americano Martin Seligman \u00e9 categ\u00f3rico ao afirmar que a gentileza \u00e9 um dos principais fatores que contribuem para uma vida feliz. Seligman descreve a pr\u00e1tica da gentileza e da bondade como uma forma de gratifica\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica associada ao uso das for\u00e7as de car\u00e1ter. O amor altru\u00edsta \u00e9 uma das 24 for\u00e7as de car\u00e1ter associadas \u00e0s seis principais virtudes humanas. As for\u00e7as e as virtudes identificadas pelos estudiosos da felicidade s\u00e3o o resultado de uma ampla investiga\u00e7\u00e3o que durou tr\u00eas anos e envolveu v\u00e1rios pesquisadores. Analisando religi\u00f5es, filosofias e conceitos \u00e9ticos e morais de in\u00fameras culturas e \u00e9pocas, os pesquisadores chegaram a conclus\u00e3o de que alguns comportamentos, pr\u00e1ticas, sentimentos e atitudes s\u00e3o considerados universalmente bons e adequados para a promo\u00e7\u00e3o do que h\u00e1 de melhor no ser humano. As virtudes e as for\u00e7as de car\u00e1ter, portanto, s\u00e3o parte consider\u00e1vel daquilo que os seres humanos entendem que pode nos ajudar a sermos melhores e mais felizes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Praticar o bem \u00e9 fortalecer a felicidade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tornar-se melhor e ser mais feliz tem muito mais a ver com a diferen\u00e7a que se pode fazer na vida dos outros do que com investir toda energia em \u201cmelhorar\u201d de vida. Tanto Martin Seligman quanto o Psic\u00f3logo Social Jonathan Haidt, da Universidade da Virg\u00ednia, realizaram experimentos que mostram diferen\u00e7as mensur\u00e1veis no n\u00edvel e na qualidade da felicidade obtidos de a\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas versus atividades que eram consideradas \u201cdivertidas\u201d. Para muitas pessoas isso pode parecer contra intuitivo, afinal vivemos em uma cultura e \u00e9poca nas quais se valoriza a busca do prazer e da satisfa\u00e7\u00e3o individual. Mas, ao contr\u00e1rio do que se apregoa, a gentileza e o altru\u00edsmo s\u00e3o elementos chave para a felicidade. Basicamente, a gentileza e o altru\u00edsmo possuem forte conex\u00e3o com os n\u00edveis de autoestima de uma pessoa e com sua capacidade de construir v\u00ednculos \u00edntimos com outras. O psic\u00f3logo Dan Gilbert, Professor da Universidade de Harvard e autor do livro \u201cTrope\u00e7ando na Felicidade\u201d, explica que: quando as pessoas se dedicam aos outros, e s\u00e3o reconhecidas por isso, h\u00e1 um sentimento de intensa satisfa\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio comportamento e com elas mesmas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pequenos gestos, grandes resultados<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, a pr\u00e1tica do altru\u00edsmo tende a expandir nossa capacidade individual de se importar com outro. Em 2004, Sonja Lyubomirsky, professora da Universidade de Stanford e um dos principais nomes da Psicologia Positiva, publicou os resultados de um estudo que demonstra o impacto positivo da pr\u00e1tica de gentileza na felicidade. Os resultados obtidos mostram que se uma pessoa se envolve em cinco atos aleat\u00f3rios de gentileza ela tem seus n\u00edveis de emo\u00e7\u00e3o positiva aumentados. Se todos os cinco atos forem realizados no mesmo dia, ent\u00e3o, o aumento das emo\u00e7\u00f5es positivas \u00e9 ainda maior. Lyubomirsky defende a ideia de que todos n\u00f3s realizamos atos de gentileza para os outros. Esses atos podem ser grandes ou pequenos e a pessoa para quem o ato \u00e9 realizado pode ou n\u00e3o estar ciente do ato. Segurar a porta do elevador para um estranho, doar sangue, visitar um parente idoso, servir sopa para moradores de rua, ensinar uma crian\u00e7a a escrever, auxiliar um colega a resolver um problema no trabalho, dar uma carona para algu\u00e9m, cumprimentar a mo\u00e7a do caixa no supermercado, levar um peda\u00e7o de bolo para o vizinho que acabou de mudar, fazer um elogio sincero&#8230; H\u00e1 muitas e diferentes maneiras de exercer o altru\u00edsmo, levando-se em considera\u00e7\u00e3o que a gentileza e a bondade s\u00e3o componentes essenciais de uma atitude altru\u00edsta que busca ver as outras pessoas com empatia e considera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Os efeitos da gentileza no c\u00e9rebro<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fazer algo de bom para outra pessoa promove uma sensa\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel que os neurocientistas chamam de efeito \u201cbrilho caloroso do altru\u00edsmo\u201d. Um estudo de 2017, realizado na Universidade de Zurich, na Su\u00ed\u00e7a, liderado pelos pesquisadores Philippe Tobler e Ernst Fehr, investigou como as \u00e1reas do c\u00e9rebro se comunicam para produzir esse efeito. Tr\u00eas \u00e1reas do c\u00e9rebro dos participantes foram mapeadas durante o experimento: na jun\u00e7\u00e3o temporoparietal, onde o comportamento pr\u00f3-social e a generosidade s\u00e3o processados; no estriado ventral, que \u00e9 associado \u00e0 felicidade; e no c\u00f3rtex orbitofrontal, onde pesamos os pr\u00f3s e contras durante os processos de tomada de decis\u00e3o. Essas tr\u00eas \u00e1reas cerebrais interagiram de maneira diferente, dependendo se os participantes do estudo se comprometeram com a generosidade ou o ego\u00edsmo. Os resultados fornecem uma vis\u00e3o sobre a intera\u00e7\u00e3o entre altru\u00edsmo e felicidade. Em seus experimentos, os pesquisadores descobriram que as pessoas que se comportavam generosamente eram mais felizes do que aquelas que se comportavam de maneira mais ego\u00edsta. A quantidade de generosidade, por\u00e9m, n\u00e3o influenciou o aumento do contentamento. O altru\u00edsmo torna as pessoas mais felizes, mesmo que seus atos sejam apenas um pouco gentis ou generosos. Ou seja, ningu\u00e9m precisa ter uma vida abnegada e totalmente dedicada aos outros para ser feliz. Aparentemente, a inten\u00e7\u00e3o de agir generosamente, por si s\u00f3, gera uma mudan\u00e7a neural antes que a a\u00e7\u00e3o seja realmente implementada, ativando a \u00e1rea altru\u00edsta do c\u00e9rebro e intensificando a intera\u00e7\u00e3o entre essa \u00e1rea e a \u00e1rea associada \u00e0 felicidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Mais sa\u00fade pra quem \u00e9 gentil<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A relev\u00e2ncia do altru\u00edsmo para a felicidade se d\u00e1 pelo fato de que a pr\u00e1tica da generosidade, da empatia e da gentileza exercem influ\u00eancia em diferentes aspectos da vida emocional. \u00c9 o que mostra um estudo conduzido por Carolyn Schwartz, da Universidade Tufts, nos EUA, e Rabbi Sendor, do Instituto Herzl, em Israel. O estudo \u2013 cujos resultados foram publicados em 1999 \u2013 acompanhou mulheres com esclerose m\u00faltipla que se voluntariaram como apoiantes de pares para outros pacientes. As acompanhantes volunt\u00e1rias receberam treinamento em coisas como &#8220;t\u00e9cnicas de escuta compassiva&#8221;, sendo instru\u00eddas a chamar os pacientes para conversar por 15 minutos. Ao final de tr\u00eas anos, a an\u00e1lise dos resultados obtidos mostrou que as volunt\u00e1rias aumentaram sua autoestima, sua autoaceita\u00e7\u00e3o, sua satisfa\u00e7\u00e3o com a vida, seus sentimentos de autoefic\u00e1cia e de dom\u00ednio sobre sua vida. Curiosamente, esses resultados positivos para as volunt\u00e1rias altru\u00edstas foram muito maiores do que as vantagens para os pr\u00f3prios pacientes que foram atendidos por elas.<\/span><\/p>\n<p><b>J\u00e1 fez sua boa a\u00e7\u00e3o hoje?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fil\u00f3sofo grego Arist\u00f3teles defendia a ideia de que um dos grandes segredos para a felicidade \u00e9 fazer as a\u00e7\u00f5es das quais nos orgulhamos. Arist\u00f3teles foi um dos fil\u00f3sofos que refletiu sobre a felicidade e o que pode nos tornar mais felizes. O conceito aristot\u00e9lico de felicidade \u00e9 a Eudaimonia, que consiste no prop\u00f3sito de se viver uma vida \u00e9tica, voltada para o crescimento pessoal e o exerc\u00edcio do bem comum. Na vis\u00e3o de Arist\u00f3teles, a verdadeira felicidade acontece quando conduzimos nossa vida trabalhando para desenvolver o bom car\u00e1ter. \u00c9 a constru\u00e7\u00e3o do bom car\u00e1ter, portanto, que nos permite realizar plenamente todo o nosso potencial. Para Arist\u00f3teles, uma vida feliz \u00e9 tamb\u00e9m uma vida admir\u00e1vel, uma vida na qual escolhemos fazer o que \u00e9 bom para o adequado funcionamento da sociedade. Nesse sentido, a eudaimonia est\u00e1 diretamente vinculada \u00e0 solidariedade e ao altru\u00edsmo que caracterizam a conduta cidad\u00e3. Arist\u00f3teles entendia que quando nossa atua\u00e7\u00e3o no mundo n\u00e3o \u00e9 guiada pelo bom car\u00e1ter, encolhemos quem podemos ser, minimizamos nosso potencial e nossas chances de ser feliz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Angelita Scardua, psic\u00f3loga e especialista em estudos sobre Felicidade.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos precursores do movimento da Psicologia Positiva \u2013 \u201ca Ci\u00eancia da Felicidade\u201d \u2013 o norte-americano Martin Seligman \u00e9 categ\u00f3rico ao afirmar que a gentileza \u00e9 um dos principais fatores que contribuem para uma vida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1374,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-1373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-habitos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1373"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1373\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1399,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1373\/revisions\/1399"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}