{"id":1382,"date":"2019-11-14T01:03:27","date_gmt":"2019-11-14T03:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/behappier.app\/?p=1382"},"modified":"2019-12-01T17:16:18","modified_gmt":"2019-12-01T19:16:18","slug":"felicidade-e-movimento-e-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1382","title":{"rendered":"Felicidade \u00e9 movimento e a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No senso comum sabe-se que a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica ajuda a descarregar a tens\u00e3o, nos deixando mais relaxados e menos irritados. Em respaldo, a ci\u00eancia tem sistematicamente comprovado os benef\u00edcios do exerc\u00edcio para a sa\u00fade f\u00edsica e mental, e seu impacto positivo na qualidade de vida. Estudos amplamente divulgados na grande m\u00eddia atestam que as pessoas fisicamente ativas t\u00eam riscos muito menores de desenvolver doen\u00e7as cardiovasculares ou depress\u00e3o e ansiedade do que as pessoas que raramente se movimentam. A novidade, por\u00e9m, \u00e9 que em pesquisas recentes, focadas na investiga\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre atividade f\u00edsica e estados emocionais, tem-se constatado que mesmo pequenas quantidades de exerc\u00edcio podem ter um efeito positivo na felicidade das pessoas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o que demonstra, por exemplo, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, no qual eles analisaram v\u00e1rios estudos anteriores sobre atividade f\u00edsica e felicidade. O estudo de Michigan, conduzido pelo Dr. Weiyun Chen, apresenta uma diferen\u00e7a significativa quando comparado a outros estudos sobre o impacto da atividade f\u00edsica no estado emocional. Em pesquisas anteriores o foco de aten\u00e7\u00e3o era nas rela\u00e7\u00f5es entre exerc\u00edcio e problemas psicol\u00f3gicos como depress\u00e3o e ansiedade. O estudo da equipe do Dr. Chen, contudo, explorou a liga\u00e7\u00e3o entre a atividade f\u00edsica e as emo\u00e7\u00f5es otimistas, especialmente em pessoas psicologicamente saud\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A ci\u00eancia confirma<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dados analisados envolveram mais de quinhentas mil pessoas em diferentes faixas et\u00e1rias e n\u00edveis socioecon\u00f4micos, e para a maioria delas o exerc\u00edcio estava fortemente ligado \u00e0 felicidade. Os resultados do estudo, publicados em abril de 2018, revelam que pessoas que se exercitam uma vez por semana ou por apenas dez minutos por dia tendem a ser mais alegres do que aquelas que nunca se exercitam. Nesse sentido, constatou-se que a quantidade de exerc\u00edcio necess\u00e1ria para influenciar a felicidade foi pequena, mas mais movimento geralmente contribuiu para uma maior felicidade. Pessoas que praticam trinta minutos de atividade f\u00edsica por dia t\u00eam 30% mais chances de se considerarem felizes do que as que se exercitam menos ou s\u00e3o sedent\u00e1rias. Os resultados tamb\u00e9m apontaram para o fato de que, apesar de a frequ\u00eancia e o n\u00edvel de atividade f\u00edsica afetarem diretamente a felicidade, o tipo de exerc\u00edcio praticado parece n\u00e3o fazer diferen\u00e7a. As diferentes modalidades de atividade f\u00edsica como caminhada, corrida, alongamento, yoga, nata\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a, luta e outras parecem ser igualmente eficazes na promo\u00e7\u00e3o de felicidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Atividade di\u00e1ria promove bem-estar<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro estudo que atesta a import\u00e2ncia da atividade f\u00edsica para a felicidade foi publicado em 2017 por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Essex, ambas no Reino Unido. Nesse estudo, os pesquisadores descobriram que a atividade f\u00edsica, independentemente de ser ou n\u00e3o classificada como exerc\u00edcio, pode ter um efeito positivo no bem-estar emocional. Assim, de acordo com Jason Rentfrow, um dos l\u00edderes da pesquisa, o simples fato de estar fisicamente ativo contribui para que as pessoas se sintam mais felizes, mesmo em atividades corriqueiras do dia a dia. Segundo o pesquisador, os dados coletados mostram que as pessoas felizes s\u00e3o mais ativas em geral, mas as an\u00e1lises tamb\u00e9m indicaram que os per\u00edodos de atividade f\u00edsica levaram ao aumento do humor positivo, independentemente da felicidade inicial dos indiv\u00edduos. Esses resultados demonstram que para ser mais feliz ningu\u00e9m precisa correr uma maratona ou se exercitar arduamente. O importante para a promo\u00e7\u00e3o de estados de humor mais positivos \u00e9 que a pessoa se mantenha ativa ao longo do dia, que se envolva periodicamente com atividade f\u00edsica. Nesse sentido, trocar o elevador pela escada ou caminhar at\u00e9 a padaria regularmente j\u00e1 pode ser o come\u00e7o de uma rotina mais saud\u00e1vel e feliz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Exerc\u00edcios e seus benef\u00edcios<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, estudos t\u00eam indicado que h\u00e1bitos de vida passivos e sedent\u00e1rios como passar horas do dia assistindo televis\u00e3o, por exemplo, est\u00e3o associados a estados depressivos. Al\u00e9m do aumento de energia, a atividade f\u00edsica contribui para a autoestima das pessoas. Pessoas ativas fisicamente tendem a se sentirem realizadas com o fato de conseguirem superar a acomoda\u00e7\u00e3o e atingirem objetivos pessoais relativos \u00e0 melhora da sa\u00fade e\/ou \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao corpo. Em adi\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio tem um efeito sobre os sintomas depressivos que \u00e9 similar ao dos medicamentos antidepressivos. Isso foi demonstrado em um estudo sueco de 2007, liderado por Astrid Bj\u00f8rnebekk, do Karolinska Institutet. Os resultados desse estudo mostraram, pela primeira vez, que a atividade f\u00edsica estimula a produ\u00e7\u00e3o de novas c\u00e9lulas cerebrais. Em 2014, um novo estudo n\u00e3o apenas confirmou os resultados obtidos anteriormente pelos suecos como avan\u00e7ou no entendimento dos benef\u00edcios do exerc\u00edcio para a sa\u00fade mental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Os efeitos positivos para a mem\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Liderado por uma equipe de neurocientistas da Universidade de Magdeburg, na Alemanha, o estudo mostra que a atividade f\u00edsica pode melhorar o desempenho da mem\u00f3ria em pessoas mais velhas atrav\u00e9s do aumento do volume e do fluxo sangu\u00edneo em uma \u00e1rea do c\u00e9rebro chamada hipocampo. O hipocampo \u00e9 uma estrutura cerebral importante para a mem\u00f3ria e a aprendizagem, e pesquisas anteriores j\u00e1 haviam indicado que o exerc\u00edcio aer\u00f3bico pode aumentar o fluxo sangu\u00edneo no hipocampo entre pessoas mais jovens.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Favorecimento da mem\u00f3ria e da aprendizagem, melhora da qualidade de sono, diminui\u00e7\u00e3o de sintomas depressivos e da ansiedade, aumento da autoestima e da sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos benef\u00edcios da atividade f\u00edsica que contribuem para a promo\u00e7\u00e3o de felicidade. Curiosamente, a felicidade e o exerc\u00edcio est\u00e3o independentemente associados ao fortalecimento do sistema imunol\u00f3gico e \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de endorfinas. Tanto o exerc\u00edcio quanto a felicidade levam ao aumento da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos, que s\u00e3o um tipo especial de prote\u00edna produzida pelo sistema imunol\u00f3gico, e que tamb\u00e9m ajudam a produzir outras c\u00e9lulas que auxiliam no sistema imunol\u00f3gico, respons\u00e1vel pela capacidade do corpo reagir aos processos de adoecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Anticorpos a mais para quem se exercita<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Psic\u00f3logo Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, tem estudado a rela\u00e7\u00e3o entre felicidade e adoecimento h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Os resultados obtidos por Cohen mostram que as pessoas felizes s\u00e3o mais resistentes a doen\u00e7as que variam do resfriado comum a doen\u00e7as card\u00edacas, enquanto o estresse e a ansiedade tendem a tornar as pessoas mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as, incluindo diabetes e derrame. Ainda em 1991, o pesquisador norte-americano David Nieman iniciou uma s\u00e9rie de estudos que investigaram o impacto do exerc\u00edcio na produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. Nieman descobriu que o exerc\u00edcio aumenta a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos em at\u00e9 300%.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Endorfina \u00e9 produzida com exerc\u00edcio\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim como a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos est\u00e1 conectada tanto ao exerc\u00edcio quanto \u00e0 felicidade, a produ\u00e7\u00e3o de endorfinas tamb\u00e9m est\u00e1 ligada. As endorfinas s\u00e3o neurotransmissores, subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que transmitem sinais de um neur\u00f4nio para o outro. Quando o corpo fica sob estresse ou experimenta dor, endorfinas s\u00e3o produzidas no hipot\u00e1lamo e na gl\u00e2ndula pituit\u00e1ria do c\u00e9rebro. Em fun\u00e7\u00e3o disso, as endorfinas s\u00e3o consideradas analg\u00e9sicos naturais porque ativam receptores opioides no c\u00e9rebro que ajudam a minimizar o desconforto. Elas tamb\u00e9m podem ajudar a provocar sentimentos de euforia e bem-estar geral, sendo tamb\u00e9m respons\u00e1veis pela sensa\u00e7\u00e3o de prazer. Assim, quando o corpo \u00e9 submetido a est\u00edmulos como sexo, comida ou dor, o hipot\u00e1lamo exige endorfinas, e as c\u00e9lulas por todo o corpo que as cont\u00e9m atendem ao chamado. Dessa forma, as endorfinas agem tanto como um analg\u00e9sico quanto como uma recompensa. O exerc\u00edcio tamb\u00e9m estimula a produ\u00e7\u00e3o de endorfina, mas pesquisadores descobriram que atividade f\u00edsica de leve a moderada n\u00e3o produz endorfinas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o Psic\u00f3logo do Esporte e estudioso do tema J. Kip Matthews: quando nos exercitamos, o c\u00e9rebro aumenta a produ\u00e7\u00e3o dos neurotransmissores serotonina e norepinefrina. Esse dado, mais do que a produ\u00e7\u00e3o de endorfinas, ajuda a explicar o papel da atividade f\u00edsica, de qualquer intensidade, no aumento da felicidade, uma vez que estudos t\u00eam ligado baixos n\u00edveis de serotonina e norepinefrina \u00e0 depress\u00e3o. O que todos esses estudos t\u00eam apontado \u00e9 que: o exerc\u00edcio pode realmente ajudar a afastar a depress\u00e3o e a ansiedade, favorecendo a felicidade na medida em que proporciona ao corpo uma oportunidade de praticar uma resposta adequada ao estresse, e agilizando a comunica\u00e7\u00e3o entre os sistemas neurais envolvidos com emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es positivas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por Angelita Scardua, psic\u00f3loga e especialista em estudos sobre Felicidade.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No senso comum sabe-se que a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica ajuda a descarregar a tens\u00e3o, nos deixando mais relaxados e menos irritados. 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