{"id":1402,"date":"2019-12-09T15:48:08","date_gmt":"2019-12-09T17:48:08","guid":{"rendered":"http:\/\/behappier.app\/?p=1402"},"modified":"2019-12-09T17:01:11","modified_gmt":"2019-12-09T19:01:11","slug":"da-sociedade-do-consumo-para-a-sociedade-da-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1402","title":{"rendered":"Da sociedade do consumo para a sociedade da felicidade"},"content":{"rendered":"<p>E se fosse poss\u00edvel compreender cientificamente de onde vem a felicidade? O recente campo da Psicologia, inaugurado pelo psic\u00f3logo americano Martin Seligman, se debru\u00e7a sobre a ci\u00eancia para explicar o que nos deixa mais feliz e o que podemos fazer para aumentar nossos n\u00edveis de bem-estar e satisfa\u00e7\u00e3o com a vida. Chamada de Psicologia Positiva, o movimento tem em nomes como Sonja Lyubomirsky, Ph.D. pela Universidade de Stanford e professora de Psicologia da Universidade da Calif\u00f3rnia, uma explica\u00e7\u00e3o que serve como ponto de partida para compreendermos a felicidade.<br \/>\nSegundo Sonja, 40% \u00e9 a fatia de nossa felicidade que temos o poder de mudar por meio de novos h\u00e1bitos e atitudes. Uma parcela de 50% vem da heran\u00e7a gen\u00e9tica. E os 10% restantes s\u00e3o explicados pelas diferen\u00e7as nas circunst\u00e2ncias de vida (riqueza ou pobreza, sa\u00fade ou doen\u00e7a).<br \/>\nPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, condicionamos nossa expectativa de ser feliz nesses 10% e fazemos de tudo para tentar controlar a vida a nossa maneira. Esquecemos do quanto ela \u00e9 impermanente. E \u00e9 aqui que come\u00e7o a minha hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Eu era aquela pessoa que se enquadrava no estere\u00f3tipo do que \u00e9 parecer ser feliz: bem sucedida, bonita, magra, viajada, cercada de amigos, um belo casamento. Fazia o checklist completo do que nos dizem o que \u00e9 sucesso. Mas eu sentia um vazio constante no peito.<br \/>\nMeus momentos de alegria estavam relacionados a conquistar um novo cliente, comprar coisas que eu tanto queria, viajar para um lugar ex\u00f3tico. Pensar que a felicidade \u00e9 uma cenoura colocada \u00e0 sua frente e que voc\u00ea s\u00f3 se sente bem se alcan\u00e7\u00e1-la \u00e9 o maior erro que pode haver. E quando nada disso acontecia, a frustra\u00e7\u00e3o era insuport\u00e1vel.<br \/>\nAlgu\u00e9m j\u00e1 se sentiu assim?<br \/>\nJunto com a frustra\u00e7\u00e3o, a culpa. Com que direito posso me sentir infeliz? N\u00e3o tenho tudo que desejei? N\u00e3o seja mal-agradecida, vai l\u00e1 e finge que est\u00e1 tudo bem &#8211; era isso que dizia para mim mesma. Mant\u00e9m a pose e segue porque a vida \u00e9 assim mesmo. At\u00e9 que numa bela noite, toda aquela pose e tudo que eu chamava de vida literalmente desmoronou. <\/p>\n<p>Em 19 de julho de 2016, toda a \u00e1rea externa do condom\u00ednio onde minha fam\u00edlia e eu mor\u00e1vamos desabou. Foram tr\u00eas mil metros, tr\u00eas andares, trezentos carros, tudo transformado em escombros. Por um breve instante, achei que iria morrer e que naquela madrugada perderia toda minha fam\u00edlia. Sou grata por nada disso ter acontecido. No dia seguinte est\u00e1vamos todos vivos. Mas me vi sem casa, sem carro, sem roupa, sem maquiagem. E acredito que perder as coisas que eu achava que significavam a minha felicidade me fez encontrar a depress\u00e3o.<br \/>\nQuestionei tudo que era poss\u00edvel: os deuses, o cosmos, a astrologia e, finalmente, a construtora do condom\u00ednio. Por que isso tinha que acontecer comigo? As respostas iriam chegar, mas n\u00e3o sem antes eu me mover em dire\u00e7\u00e3o a elas. Concordei em abandonar o papel de v\u00edtima e repensar a vida me fazendo uma pergunta: o que \u00e9 felicidade?<br \/>\nA contribui\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia para encontrar essa resposta \u00e9 um dos estudos mais fant\u00e1sticos do nosso s\u00e9culo. A Psicologia se debru\u00e7ou durante muitos anos sobre as doen\u00e7as mentais. Mas j\u00e1 era hora de come\u00e7armos a dirigir nosso olhar para um outro lado. Pouco a pouco os estudos sobre Felicidade est\u00e3o jogando ao ch\u00e3o diversos mitos, que durante muito tempo foram refor\u00e7ados pela cultura do consumo, pela educa\u00e7\u00e3o, pelo sistema que nos ensina competi\u00e7\u00e3o e individualismo, pela publicidade que diz abra a felicidade com uma garrafa de refrigerante. <\/p>\n<p>Por ser publicit\u00e1ria, percebo o quanto minha responsabilidade se torna gigante quando o assunto \u00e9 felicidade. Junto com o capitalismo, a publicidade foi fundamental para construir as riquezas e o mundo que conhecemos hoje. De forma alguma quero desmerecer a publicidade e o capitalismo, mas essa forma j\u00e1 deu, estamos num novo patamar, temos novos desafios, precisamos de um novo capitalismo, que v\u00e1 al\u00e9m do lucro e uma nova publicidade, que v\u00e1 al\u00e9m de vender produtos e servi\u00e7os. Precisamos que  ambos ajudem a construir um mundo melhor.<br \/>\nHoje assumo cada vez mais esse papel de deixar claro que encontrar a felicidade \u00e9 buscar dentro da gente mesmo esse caminho que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ser constru\u00eddo de forma di\u00e1ria, com novas atitudes e h\u00e1bitos que fortalecem nossa sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar. De forma nenhuma quero dizer que voc\u00ea deve deixar de comprar coisas. O que n\u00e3o pode \u00e9 achar que trocar de celular, comprar um carro novo ou renovar o guarda-roupa ir\u00e3o garantir sua felicidade. Lembra que falei no in\u00edcio desse texto sobre os 40% que comp\u00f5em a felicidade? Eles dependem unicamente da sua forma de repensar a vida, ter uma nova consci\u00eancia sobre o que \u00e9 ser feliz e sobre agir para que ela se torne parte de voc\u00ea. <\/p>\n<p><em>Flavia da Veiga<br \/>\nFundadora do BeHappier <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se fosse poss\u00edvel compreender cientificamente de onde vem a felicidade? 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