{"id":1563,"date":"2021-01-18T13:03:58","date_gmt":"2021-01-18T16:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/behappier.app\/?p=1563"},"modified":"2021-01-18T13:03:58","modified_gmt":"2021-01-18T16:03:58","slug":"trabalho-traz-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1563","title":{"rendered":"Trabalho traz felicidade?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cQuando a circunst\u00e2ncia \u00e9 boa, devemos desfrut\u00e1-la; quando n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel devemos transform\u00e1-la e quando n\u00e3o pode ser transformada, devemos transformar a n\u00f3s mesmos.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0(Viktor Frankl)<\/em><\/p>\n<p>Tome um breve momento, e reflita: o que voc\u00ea anda esperando do trabalho? Pode-se enumerar uma s\u00e9rie de expectativas, entre elas: 1) maior remunera\u00e7\u00e3o e benef\u00edcios financeiros, 2) reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o profissional, 3) satisfa\u00e7\u00e3o e felicidade no trabalho. S\u00e3o todas expectativas v\u00e1lidas, contudo, parece que cada vez mais tais expectativas s\u00e3o excessivamente idealizadas e distantes da realidade que nos espera nas atividades de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos s\u00e3o os fatores que colaboram para uma realidade dif\u00edcil nos postos de trabalho: baixa remunera\u00e7\u00e3o, altos \u00edndices de desemprego, precariza\u00e7\u00e3o, ambientes insalubres, ambientes altamente competitivos, entre outros. Conseguimos compreender com facilidade quando algu\u00e9m adoece no trabalho por conta de cobran\u00e7as excessivas, pouca valoriza\u00e7\u00e3o e baixos sal\u00e1rios. E, de fato, estes fatores externos s\u00e3o indicadores importantes sobre o bem-estar e a qualidade de vida no trabalho (Mills, Fleck, &amp; Kozikowski, 2013).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que uma outra quest\u00e3o se encontra negligenciada constantemente. Vamos imaginar o seguinte cen\u00e1rio, tamb\u00e9m bastante comum: algu\u00e9m trabalha em uma boa empresa, recebe uma excelente remunera\u00e7\u00e3o, \u00e9 valorizado e reconhecido por pares, mas, ainda assim, apresenta um quadro de ansiedade grave que exige cuidados profissionais. Neste caso, j\u00e1 n\u00e3o podemos contar somente com os fatores externos associados ao trabalho para compreender a origem desta situa\u00e7\u00e3o. Tampouco, podemos explic\u00e1-la pela via \u00fanica do mundo do trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isso pode nos remeter a algo \u00f3bvio, e que passa despercebido por muitas vezes na constru\u00e7\u00e3o das subjetividades na atualidade: o trabalho n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o de vida relevante para a felicidade de uma pessoa adulta, e nem deveria ser. Voltando ao cen\u00e1rio ilustrado acima: algu\u00e9m pode ser o trabalhador \u00f3timo em um trabalho incr\u00edvel, mas, se por acaso essa \u00e9 a \u00fanica forma de realiza\u00e7\u00e3o deste indiv\u00edduo na vida, ent\u00e3o podemos dizer, sem medo de errar, que dificilmente estamos lidando com uma pessoa satisfeita e feliz com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, foi lan\u00e7ado o filme SOUL (Disney-Pixar, 2020), que toca neste ponto sens\u00edvel e conta a hist\u00f3ria de um m\u00fasico que tinha o anseio de ser reconhecido pelo seu trabalho, mas sofre um acidente grave justo no dia em que teria a oportunidade profissional dos seus sonhos. Os di\u00e1logos e <em>insights<\/em> do personagem ap\u00f3s fazer uma viagem para o \u201coutro lado da vida\u201d nos proporciona refletir sobre as alegrias e satisfa\u00e7\u00f5es que as atividades de trabalho podem nos permitir, e sobre aquilo que \u00e9 imposs\u00edvel esperar do trabalho e que s\u00f3 pode ser conquistado em outros espa\u00e7os de vida, ou atrav\u00e9s das nossas escolhas conscientes e do nosso modo \u00fanico de ser e estar no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste sentido, alimentar expectativas sobre o trabalho pode ser um exerc\u00edcio saud\u00e1vel e motivador, desde que haja a possibilidade de di\u00e1logo entre as demandas da realidade e aquilo que cada um de n\u00f3s espera do trabalho em si. Assim, como sugeria Viktor Frankl (2013), ao inv\u00e9s de nos perguntarmos sobre o que esperamos da vida (ou do trabalho), dever\u00edamos nos indagar sobre o que a vida espera de n\u00f3s. Talvez, deste modo, o encontro com o prop\u00f3sito e a felicidade fiquem mais pr\u00f3ximos de ser alcan\u00e7ados na vida real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Texto escrito por Marcella Bastos Cacciari<\/em><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>\u00b9 J. Mills, M., R. Fleck, C., &amp; Kozikowski, A. (2013). Positive psychology at work: A conceptual review, state-of-practice assessment, and a look ahead.\u00a0<em>The Journal of Positive Psychology<\/em>,\u00a08(2), 153-164.<\/p>\n<p>\u00b2 Frankl, V. E. (2013). <em>Em busca de sentido<\/em>: um psic\u00f3logo no campo de concentra\u00e7\u00e3o (Vol. 3). Editora Sinodal.<\/p>\n<p>\u00b3 Disney-Pixar (2020). <em>Soul<\/em>: uma aventura com alma. Estados Unidos. 101 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando a circunst\u00e2ncia \u00e9 boa, devemos desfrut\u00e1-la; quando n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel devemos transform\u00e1-la e quando n\u00e3o pode ser transformada, devemos transformar a n\u00f3s mesmos.\u201d \u00a0(Viktor Frankl) Tome um breve momento, e reflita: o que voc\u00ea [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1566,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proposito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1563"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1565,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1563\/revisions\/1565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}