{"id":1648,"date":"2021-05-20T12:03:04","date_gmt":"2021-05-20T15:03:04","guid":{"rendered":"https:\/\/behappier.app\/?p=1648"},"modified":"2021-05-20T12:36:44","modified_gmt":"2021-05-20T15:36:44","slug":"do-desamparo-aprendido-ao-otimismo-como-estilo-explicativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/behappier.app\/blog\/?p=1648","title":{"rendered":"Do desamparo aprendido ao otimismo como estilo explicativo"},"content":{"rendered":"<p>[fusion_builder_container hundred_percent=&#8221;no&#8221; equal_height_columns=&#8221;no&#8221; menu_anchor=&#8221;&#8221; hide_on_mobile=&#8221;small-visibility,medium-visibility,large-visibility&#8221; class=&#8221;&#8221; id=&#8221;&#8221; background_color=&#8221;&#8221; background_image=&#8221;&#8221; background_position=&#8221;center center&#8221; background_repeat=&#8221;no-repeat&#8221; fade=&#8221;no&#8221; background_parallax=&#8221;none&#8221; parallax_speed=&#8221;0.3&#8243; video_mp4=&#8221;&#8221; video_webm=&#8221;&#8221; video_ogv=&#8221;&#8221; video_url=&#8221;&#8221; video_aspect_ratio=&#8221;16:9&#8243; video_loop=&#8221;yes&#8221; video_mute=&#8221;yes&#8221; overlay_color=&#8221;&#8221; video_preview_image=&#8221;&#8221; border_size=&#8221;&#8221; border_color=&#8221;&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; padding_top=&#8221;&#8221; padding_bottom=&#8221;&#8221; padding_left=&#8221;&#8221; padding_right=&#8221;&#8221;][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=&#8221;1_1&#8243; layout=&#8221;1_1&#8243; background_position=&#8221;left top&#8221; background_color=&#8221;&#8221; border_size=&#8221;&#8221; border_color=&#8221;&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; border_position=&#8221;all&#8221; spacing=&#8221;yes&#8221; background_image=&#8221;&#8221; background_repeat=&#8221;no-repeat&#8221; padding_top=&#8221;&#8221; padding_right=&#8221;&#8221; padding_bottom=&#8221;&#8221; padding_left=&#8221;&#8221; margin_top=&#8221;0px&#8221; margin_bottom=&#8221;0px&#8221; class=&#8221;&#8221; id=&#8221;&#8221; animation_type=&#8221;&#8221; animation_speed=&#8221;0.3&#8243; animation_direction=&#8221;left&#8221; hide_on_mobile=&#8221;small-visibility,medium-visibility,large-visibility&#8221; center_content=&#8221;no&#8221; last=&#8221;no&#8221; min_height=&#8221;&#8221; hover_type=&#8221;none&#8221; link=&#8221;&#8221;][fusion_text]<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cCada momento e\u0301 uma escolha. Na\u0303o importa qua\u0303o frustrante, chata, limitadora ou opressiva for a nossa experie\u0302ncia, podemos sempre escolher como reagir.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(Edith Eva Eger em A Bailarina de Auschwitz)<\/p>\n<p>Martin Seligman, considerado o pioneiro do movimento cienti\u0301fico da psicologia positiva, trabalhou durante mais de 30 anos com pesquisas na a\u0301rea de psicopatologia, e foi o principal autor de uma das teorias de facetas da personalidade mais importantes das u\u0301ltimas de\u0301cadas, a teoria do desamparo aprendido (Schultz &amp; Schultz, 2002).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Seligman formulou seu problema de pesquisa ao observar um experimento de condicionamento cla\u0301ssico com ca\u0303es feito em duas etapas. Na primeira etapa, os bichinhos estavam sendo ensinados a associar um determinado som ao choque ele\u0301trico que recebiam atrave\u0301s de um piso, e na segunda etapa, os animais eram colocados em uma caixa com dois compartimentos contendo uma pequena diviso\u0301ria (como uma pequena cerca). Neste momento, o objetivo era que os ca\u0303es procurassem \u201cfugir\u201d dos choques aplicados no interior da caixa, pulando a cerca ao ouvir o som emitido na primeira etapa (fase em que o som foi associado aos choques). Mas na\u0303o foi o que ocorreu. Quando receberam os choques, eles comec\u0327aram a deitar, choramingar, e na\u0303o fizeram nenhuma tentativa de fugir. Ou seja, o experimento parecia ter dado errado.<\/p>\n<p>No entanto, Seligman compreendeu a reac\u0327a\u0303o dos ca\u0303es de uma outra forma. Ele notou que na primeira parte do experimento os animais aprenderam que estavam \u201cindefesos\u201d diante dos choques. Nenhuma das respostas emitidas naquele momento ajudou a resolver as circunsta\u0302ncias da situac\u0327a\u0303o. Assim, quando foram expostos aos choques novamente, agiram como se suas tentativas fossem \u201cinu\u0301teis\u201d, e sequer procuraram uma forma de escapar da caixa, pois haviam generalizado este modo de reagir diante dos choques. De forma ana\u0301loga, os seres humanos tambe\u0301m poderiam experimentar essa percepc\u0327a\u0303o de total ause\u0302ncia de controle sobre o ambiente, que levaria ao que ele denominou, algum tempo depois, de <strong>desamparo aprendido.<\/strong><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong>Desamparo aprendido<\/strong><\/h3>\n<p>No desamparo aprendido, as pessoas aprendem ao longo de sua histo\u0301ria de vida que \u201cna\u0303o vale a pena tentar\u201d, que \u201cas coisas sa\u0303o assim mesmo\u201d, que \u201cas pessoas na\u0303o sa\u0303o confia\u0301veis\u201d ou que o \u201cmundo e\u0301 um lugar perigoso\u201d. Neste cena\u0301rio, a conformidade e a passividade tendem a dominar a vida da pessoa em sofrimento (Klein, Fencil-Morse, &amp; Seligman, 1976). <strong>E\u0301 como se na\u0303o houvesse jeito de resolver situac\u0327o\u0303es difi\u0301ceis<\/strong>, e ainda mais, como se as circunsta\u0302ncias que envolvem estas situac\u0327o\u0303es fossem duradouras e permanentes (Peterson &amp; Seligman, 1983).<\/p>\n<p>Talvez voce\u0302 conhec\u0327a algue\u0301m que apresente estas caracteri\u0301sticas, ou voce\u0302 ja\u0301 percebeu as coisas desta forma, e acredite, isso e\u0301 algo relativamente comum.<\/p>\n<p>Mas a histo\u0301ria desta teoria na\u0303o acaba por ai\u0301. Como voce\u0302s ja\u0301 sabem, nos capi\u0301tulos seguintes, Seligman deu ini\u0301cio ao que conhecemos hoje como <strong>psicologia positiva<\/strong> ou <strong>cie\u0302ncia da felicidade<\/strong>. Da mesma forma que acontece com muitos teo\u0301ricos ilustres da psicologia, ele descobriu em sua pro\u0301pria biografia que ainda na\u0303o estava satisfeito com as respostas que havia encontrado para lidar com o sofrimento humano, e o seu trabalho com a psicoterapia tradicional parecia estar ficando cada dia mais \u201climitado\u201d. E\u0301 aqui que temos uma grande reviravolta. Existe um pilar da psicologia positiva que esta\u0301 impli\u0301cito em quase todas as teorias, te\u0301cnicas e construtos que pertencem a este movimento, e a partir de agora voce\u0302 sempre vai percebe\u0302-lo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<h3><strong>Para al\u00e9m da sobreviv\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>E\u0301 o seguinte: a cura e\u0301 importante e sempre devemos buscar o cuidado adequado das feridas e a garantia da sobrevive\u0302ncia, mas, a sobrevive\u0302ncia na\u0303o e\u0301 o suficiente. Ale\u0301m de sobreviver, e\u0301 preciso florescer (Seligman, 2011). E o que isso significa na pra\u0301tica? Significa que na\u0303o devemos buscar o retorno a um estado anterior de coisas ou um tipo de estado \u201cde cura\u201d (uma estaca zero). Poroutro lado, nossas intervenc\u0327o\u0303es e ac\u0327o\u0303es no mundo precisam facilitar, ale\u0301m do reconhecimento da forc\u0327a da sobrevive\u0302ncia apo\u0301s momentos devastadores, a permissa\u0303o de dar mais passos adiante, reconhecer as benc\u0327a\u0303os que nos acontecem cotidianamente, abrac\u0327ar as nossas maiores qualidades e vislumbrar a descoberta do propo\u0301sito.<\/p>\n<p>Mas, e a teoria do desamparo aprendido? Bom, podemos dizer que ajudou na elaborac\u0327a\u0303o de uma outra, bem mais \u201cconectada\u201d com a psicologia positiva: a <strong>teoria dos estilos explicativos<\/strong>. Resumidamente, os estilos explicativos correspondem a maneira como explicamos a ause\u0302ncia de controle das circunsta\u0302ncias ambientais (tal como ocorre em situac\u0327o\u0303es de desamparo). No <strong>estilo pessimista<\/strong>, a pessoa tende a atribuir os problemas em questa\u0303o a si mesma de forma inapropriada (ex. Isso sempre da\u0301 errado comigo), de forma duradoura e abrangente, o que fomenta o desamparo aprendido. Ja\u0301 no <strong>estilo otimista<\/strong>, a pessoa consegue perceber que os eventos adversos podem ter causas externas a ela (ex. Perdi o o\u0302nibus porque ele passou 5 minutos antes do hora\u0301rio), compreende que sa\u0303o passageiros, ainda que possam demorar, e especi\u0301ficos do contexto, o que protege e ajuda a prevenir o desamparo aprendido (Gillham, Shatte\u0301, Reivich, &amp; Seligman, 2001).<\/p>\n<\/div>\n<h3><\/h3>\n<h3>Por fim, boas not\u00edcias!<\/h3>\n<div class=\"column\">\n<p>Seligman descobriu que os princi\u0301pios que ajudam a entender a dina\u0302mica do desamparo aprendido e do estilo explicativo pessimista que o promove, tambe\u0301m permitem a compreensa\u0303o do estilo otimista e seus benefi\u0301cios para a sau\u0301de em geral. Temos como resultado o <strong>otimismo aprendido<\/strong> e a possibilidade de te\u0301cnicas e intervenc\u0327o\u0303es que podem promove\u0302-lo.<\/p>\n<p>Olha so\u0301 que boa noti\u0301cia: podemos aprender e descobrir novas formas de incluir o estilo explicativo otimista nas nossas vidas. Demais, ne\u0301!?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Texto por Marcella Bastos Cacciari, para a cartilha do curso de extensa\u0303o \u201cPsicologia da Felicidade e do Bem- estar\u201d da Ufes (2020).<\/p>\n<\/div>\n<p>[\/fusion_text][\/fusion_builder_column][\/fusion_builder_row][\/fusion_builder_container]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[fusion_builder_container hundred_percent=&#8221;no&#8221; equal_height_columns=&#8221;no&#8221; menu_anchor=&#8221;&#8221; hide_on_mobile=&#8221;small-visibility,medium-visibility,large-visibility&#8221; class=&#8221;&#8221; id=&#8221;&#8221; background_color=&#8221;&#8221; background_image=&#8221;&#8221; background_position=&#8221;center center&#8221; background_repeat=&#8221;no-repeat&#8221; fade=&#8221;no&#8221; background_parallax=&#8221;none&#8221; parallax_speed=&#8221;0.3&#8243; video_mp4=&#8221;&#8221; video_webm=&#8221;&#8221; video_ogv=&#8221;&#8221; video_url=&#8221;&#8221; video_aspect_ratio=&#8221;16:9&#8243; video_loop=&#8221;yes&#8221; video_mute=&#8221;yes&#8221; overlay_color=&#8221;&#8221; video_preview_image=&#8221;&#8221; border_size=&#8221;&#8221; border_color=&#8221;&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; padding_top=&#8221;&#8221; padding_bottom=&#8221;&#8221; padding_left=&#8221;&#8221; padding_right=&#8221;&#8221;][fusion_builder_row][fusion_builder_column type=&#8221;1_1&#8243; layout=&#8221;1_1&#8243; background_position=&#8221;left top&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1651,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[23,18,16],"class_list":["post-1648","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-ciencia-da-felicidade","tag-felicidade","tag-martin-seligman"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1648"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1654,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1648\/revisions\/1654"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1651"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/behappier.app\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}