A máquina da infelicidade
Você sabia que a felicidade está dentro de nós, mais especificamente no nosso cérebro? Quando algo de ruim ou bom acontece com a gente, não é o fato em sim, que é bom ou ruim, e sim os pensamentos e as sensações sobre o fato.
Se felicidade e a infelicidade estão na nossa cabeça, então vamos conhecer um pouquinho mais sobre as 4 características do nosso cérebro?
Primeiro, o nosso cérebro é uma maquina de sobrevivência (e de infelicidade).
A neurociência explica que nosso cérebro foi desenhado para sobreviver e perpetuar a espécie. Simples assim. O nosso cérebro primitivo é programado para identificar o perigo para fugir dele. Isso significa que somos muito atraídos pelo que é ruim. E para piorar as coisas, o que é bom, nosso cérebro tem bastante dificuldade de perceber e o pior, de arquivar. O neurocientista, Rick Hanson, diz que nosso cérebro é velcro para o que é ruim e teflon para o que é bom.
Segundo, o cérebro não gosta de mudanças. Além de ficarmos mais atentos ao que é ruim como uma ferramenta evolutiva de sobrevivência, o cérebro também procura manter as coisas como estão. Para o cérebro, mudanças significam ameaças. Por isso sentimos medo, insegurança, diante de mudanças.
Terceiro, o cérebro funciona no piloto automático. Para salvar energia e tempo, no dia-a-dia nosso cérebro funciona em modo automático. A grande questão é o que piloto automático é formado pelas imagens que construímos ao longo da vida, do que ouvimos, do que passamos. Se sofremos, o nosso modo automático será de sofrimento. Se assistimos muita noticia ruim, nosso modo automático será de que só acontece coisa ruim. Não enxergamos o todo, só partes. E isso leva a 4 característica do cérebro.
O cérebro distorce a realidade. De acordo com Daniel Kahneman, psicólogo que ganhou o Nobel da Economia, nós temos uma visão distorcida da realidade. O que achamos que é real é uma “fantasia” do cérebro. Nada mais é do que uma tentativa de nos proteger. Nosso cérebro é cheio de falsas verdades, muitos “mitos”.
Daí concluímos que a felicidade está literalmente na nossa cabeça. E agora, nosso cérebro é uma maquina de sofrimento, então pronto acabou, me contento com isso e vou ser infeliz para o resto da vida?
Aí veio uma grande surpresa: meu cérebro não sou eu. Meu cérebro é um órgão comandado por mim. Mais especificamente pela minha mente. E a grande descoberta foi saber que a minha mente pode moldar o meu cérebro. De acordo com a neurociência, nosso cérebro é um órgão que aprende. Ele é desenhado para ser alterado de acordo com nossas experiências e nossos hábitos. O que pensamos e sentimos, aos poucos, vai esculpindo a estrutura neural. Bem, diante disso tudo ficou claro pra mim que a responsabilidade da minha felicidade é 100% minha. Já que o ano começa em março, que tal aproveitar o início de 2020 para vigiar seus pensamentos e sua emoções, e assim mudar a forma como você enxerga sua vida e a felicidade?
Flavia da Veiga
Fundadora do BeHappier